Preparação

Nossa preparação consiste, essencialmente, em criar situações de estresse em ambientes seguros, os quais simulem ou ultrapassem os estresses possíveis de serem vivenciados durante nossas expedições em ilhas oceânicas, a fim de nos treinarmos física, mental, emocional e tecnicamente para a maior quantidade de situações adversas possíveis durante a busca de nossas metas.

Os Cruzadores não oferecem nenhum serviço, nem treinamento, nem passeios ou turismo, assim não se responsabilizam pela segurança daqueles que se aventuram junto com eles.

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Treinamento de base:

triathlon, funcional e

adaptabilidade aquática

Triathlon

O triathlon nos proporciona a ocasião para realizarmos atividades físicas diárias, porém variando sempre a modalidade, de modo que alcançamos um excelente condicionamento físico, mental e emocional com uma baixa probabilidade de lesão.

O triathlon também nos fornece a ocasião para treinos longos semanais de natação, bike e corrida, o que nos prepara para expedições longas que requerem resistência. física, mental e emocional.

Funcional

Os exercícios funcionais colaboram com nossas capacidades físicas de um modo holístico, integral, desenvolvendo nossa força, equilíbrio e mobilidade, atributos essenciais para alcançarmos com sucesso nossas metas. O funcional é preferencialmente praticado de forma articulada e visando os treinamentos específicos.

Adaptabilidade aquática

Treinos de adaptabilidade aquática visam nos preparar física, mental e emocionalmente para situações cotidianas específicas e emergenciais no mar durante nossas expedições, como, p.ex.: o desembarque em ilhas, o encalhamento dos caiaques nas rochas das ilhas, a passagem das arrebentações com os caiaques, o deslocamento de pessoas na água, etc.

Como exemplo, seguem alguns exercícios de adaptabilidade aquática que praticamos em piscina e no mar:

1) Treinamento para adaptabilidade submersa:

a) ondulação submersa em parafuso (até desorientação espacial);

b) cambalhotas submersas (até desorientação espacial) seguida de nado.

 

2) Treinamento de força:

a) nado tesoura com anilha (6kg) para fora da água;

b) nado submerso (filipina) com anilha (10kg);

c) busca de anilha (10kg) no fundo do mar;

d) caminhada com duas anilhas (10kg cada) no fundo do mar.

Obs: nunca treine sem acompanhamento de profissional qualificado.

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Treinamento específico I:

natação e adaptabilidade em costões e ilhas

Adaptabilidade em costões e ilhas

Treinar em costões e ilhas é essencial, pois são os costões e as ilhas já bem conhecidos nossos que simulam com a maior fidelidade possível o que enfretaremos nas expedições para  ilhas desconhecidas. O treino, neste caso, inclui nadar próximo e desembarcar em pedras, entre outros.

Desta forma, nos costões e ilhas conhecidos, nós estudamos: a) a melhor logística de saída, b) as melhores formas de orientação nas travessias até as ilhas, c) a melhor forma de dar a volta nas ilhas, d) a melhor forma de desembarque nas ilhas,  entre outros.

Também estudamos a melhor forma de apoio, p.ex. se de caiaque ou inflável, assim como os equipamentos necessários, tanto os de segurança, como os de comunicação e captação de imagens.

Natação em águas abertas

Não obstante, mesmo o treino de natação em águas abertas paralelo às praias pode ser bastante útil no treinamento, uma vez que simula mais ou menos o ambiente das voltas nas ilhas, permitindo alguma adaptação física, mental, emocional e técnica, inclusive para alguns casos de estresse.

Um exemplo de caso de estresse em natação paralela que serviu como treinamento para as expedições, foi a segunda vez em que eu, Felipe, fui queimado intensa e diretamente no rosto por uma água viva: o treinamento, neste caso, se concretizou no exercício de manter-me calmo e procurar completar o treino tal como programado, mesmo com a dor da queimadura.

 

Este tipo de treinamento possibilita que, em situações parecidas nas expedições, consigamos nos manter calmos e pensar nas melhores soluções possíveis.

Obs: nunca treine sem acompanhamento de profissional qualificado.

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Treinamento específico II:

mergulho livre e vela

Mergulho Livre 

 

A prática do mergulho livre visa essencialmente quatro objetivos: a) treinamento de apneia, melhorando a respiração geral; b) treinamento psicológico, melhorando o autocontrole e a exposição ao desconforto; c) melhor adaptação ao mar em torno das ilhas, através do conhecimento da sua parte submersa; d) o prazer estético. 

 

Vela

As ilhas oceânicas são muito distantes para serem acessadas a nado ou a caiaque, tornando a vela um esporte essencial nestas expedições.

 

Uma vez, entretanto, que estas expedições iniciarão apenas na segunda fase do projeto, atualmente objetivamos apenas treinos com veleiros pequenos próximos à costa.

Obs: nunca treine sem acompanhamento de profissional qualificado.

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Segurança I:

previsão do tempo

navegação

Previsão do tempo

Quando dos treinos em águas abertas nós aproveitamos para treinarmos, concomitantemente, a leitura e compreensão da previsão do tempo. 

A correta leitura e compreensão da previsão do tempo é muito importante para as expedições à  ilhas ocânicas, uma vez que uma situação climática ruim pode dificultar muito a expedição ou até mesmo colocar os nadadores em risco, como no caso da presença de descargas elétricas ou de baixa visibilidade.

Assim, é importante saber ler e compreender os regimes de ventos, correntes, ondas, tempestades, chuvas, visibilidade e etc. o que só se ganha com a prática continuada.

Navegação

Por navegação designamos a orientação geral no espaço marítimo, seja na natação, caiaque ou vela.

A navegação na natação e no caiaque é muito simples, uma vez que nelas nunca se perde a costa e o destino do campo visual. 

 

Para uma boa navegação na natação e no caiaque, deve-se observar a visibilidade, a força e direção dos ventos e correntes. Na natação, há ainda a necessidade da respiração frontal e bilateral periódica. 

A navelagção na vela é muito mais complexa que na natação e no caiaque, tendo em vista que se trata de uma navegação distante da costa. Esta navegação é uma etapa posterior do nosso treinamento.

Obs: nunca treine sem acompanhamento de profissional qualificado.

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Segurança II:

radioamadorismo e sobrevivencialismo em ilhas oceânicas

Radioamadorismo

A comunicação por rádio é a comunicação de longa distância mais resiliênte e simples que existe, além de ser também a comunicação com a maior autonomia existente, tendo em vista seu baixo gasto energético. 

Estas três caracterísitcas: a) alta resiliência, b) alta autornomia; e c) alta simplicidade, garantem à comunicação por rádio, o título de comunicação mais apropriada para expedições e situações emergênciais, sendo, portanto, seu treinamento essencial no programa dos Cruzadores.

O treinamento consiste no transporte do rádio até a ilha, sua montagem na ilha e a comunicação por rádio, a partir da ilha, com a comunidade de radioamadores do mundo, fazendo o que nesta comunidade se chama de "ativação da ilha".

Para o sucesso da operação, o radioperador deve possuir conhecimentos práticos e teóricos de rádio e propagação de ondas de rádio, além de estar devidamente licensiado junto a ANATEL. 

Sobrevivencialismo

Ainda estamos nos preparando para a prática do sobrevivêncialismo em ilhas oceânicas. A finalidade é nos prepararmos bem para futuras grandes expedições para ilhas oceâncias muito distantes e extremas.

 

A prática consistirá em: a) alcançar a Ilha a nado ou a caiaque, b) dar a volta a nado na ilha, c) passar ao menos uma noite acampado na ilha, e d) retornar da ilha, no dia seguinte, da mesma forma que utilizamos para nela chegar.

Na ilha, realizaremos práticas sobrevivencialistas, como: a) comunicação por rádio; b) pesca de peixes e caça de aves; c) coleta de frutos; d) técnicas de acampamento, como produção de fogo, preparo de alimentos, construção de abrigos temporários; etc.; e) mergulho livre (em apneia) e caça submarina, f) entre outras.

Obs: nunca treine sem acompanhamento de profissional qualificado.

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Segurança III:

gestão de riscos e

protocolos de segurança

Gestão de riscos

A primeira etapa de uma gestão de riscos é a análise de riscos, atividade pela qual se divide os riscos existentes em categorias e, quando possível, as articula em gêneros e espécies. Não é a hora ainda de avaliar qual é o risco mais comum ou grave, isso faz parte de uma medição de riscos. Ademais, deve-se ter em mente que os riscos mudam de local para local, sendo específicos mesmo em atividades iguais, como a natação em ágaus abertas. 

Após a análise de riscos, quando os riscos já estão classificados em categorias e articulados em gêneros e espécies, então é o momento de medir os riscos.

Medir os riscos significa compará-los com outras grandezas mais facilmente compreensíveis, podendo elas serem qualitativas ou quantitativas, neste último caso, expressas matematicamente. Assim, mede-se os riscos comparando-os com escalas de tempo, porcentagem, etc. 

Após a análise e medicão dos riscos, portanto, após conhecidos os riscos da melhor maneira possível, é hora de planejar formas de  minimizar os riscos, etapa denominada de gerenciamento de riscos. Dentro do gerenciamento de riscos, há a criação de protocolos de segurança,.

Protocolos de segurança

A partir os passos anteriormente descritos, desenvolvemos diversos protocolos de segurança, citamos alguns como exemplos;

a) com excessão de costões e ilhas muito próximos, de águas calmas e conhecidas, nunca vamos sozinhos e sempre vamos acompanhados de um caiaque;

b) a metragem total da volta nas ilhas deve ter sido simulada em piscina, paralelo ou em ilhas seguras ao menos uma vez;

c) nas ilhas mais difíceis deve-se sempre esperar as melhores condições climáticas;

d) no caiaque deve ir: alimentação e hidratação adequados, colete salva-vidas, nadadeiras, equipamentos de imagem, telefone, medicamentos necessários, protetor solar, óculos reserva e vasilina, tudo sempre amarrado ao caiaque;

e) a meta é dar a volta na ilha em segurança, o desempenho não é importante e o uso de equipamentos é estimulado;

f) deve-se sempre estar com roupa de borracha para evitar sérias queimaduras de águas vivas;

g) o caiaque deve estar sempre o mais próximo possível do nadador e é sempre o nadador quem estipula o ritmo de nado;

h) havendo discondância  em relação à orientação do nado, prevalece sempre a posição privilegiada do caiaque;

i) há sempre um plano a ser seguido, porém o plano deve ser constantemente adaptado à situação real e, havendo risco de integridade física, deve-se sempre buscar as alternativas mais seguras no momento;

j) etc.

Obs: nunca treine sem acompanhamento de profissional qualificado.